Três Mãos a Descartar (Fold) Antes do Flop e Porquê

Mesmo que seja um neófito no poker, existem alguns princípios básicos que necessita conhecer mesmo antes de pegar nas fichas para apostar. Um, quando obtém um par de Ases na mão, você deve castigar os seus adversários com um raise antes do flop (pre-flop). Caso contrário, todos os jogadores terão oportunidade de fazer o seu jogo e possivelmente neutralizar as suas munições. Dois, você não precisa de jogar mãos “especiais” como um 7-2, universalmente conhecida como a pior mão no poker. Finalmente, não existe o conceito de jogar “na desportiva”, pois normalmente, você está a jogar poker por uma razão – tipicamente, essa mesma razão é ganhar dinheiro.Mãos-a-Descartar-Antes-do-Flop
Para além disso, a educação correta de um jogador de poker é um pouco incerta. Aqui seguem opiniões básicas acerca de mãos em que jogadores principiantes apostarão porque “alguém lhes disse que era valiosa”, ou “mas, o (inserir aqui jogador profissional de poker) vai sempre a jogo com esta mão” ou até “tive um palpite”. Se colocar no seu repertório estes exemplos de mãos às quais deve fazer fold antes do flop, é provável que as suas sessões de jogo se tornem mais rentáveis.

 

Valete-10 (Do mesmo naipe ou naipes diferentes)

 

À primeira vista, Valete-10 parece ser uma mão fantástica. Tem potencial para completar 4 dos straights mais elevados, a única combinação de cartas capaz de o fazer, e pode obrigar a uma aposta no flop se estas pertencerem ao mesmo naipe e se forem reveladas outras duas cartas desse naipe no feltro. O problema com a mão Valete-10 é não ser muito conveniente após o flop.

Se receber um flop que contém um Valete, então terá problemas com o kicker (cartas que não pertencem a qualquer combinação, mas que determinam o valor das mãos caso existam combinações semelhantes entre os jogadores), que na maioria irá ser dominado por um adversário com D-V, R-V ou A-V. Se o par obtido for de 10 surgirá a mesma situação, com um número semelhante de opções que o podem derrotar – A-10, R-10 e D-10. Se a sua mão for do mesmo naipe, e se o flop revelar duas cartas do mesmo naipe inferiores a 10, então existe a possibilidade (uma pequena chance, de cerca de 1 em 592) de existir um A-R, A-D ou R-D à espreita para o derrubar. E nem vamos começar a debater o potencial para straights (R-D, D-9, 9-8) se obter dois pares no flop.

Neste caso, existem duas opções: acertar em tudo e esperar que alguém ignore o potencial para straight na mesa, igualando sempre as suas apostas, ou pode falhar e ter que desistir da mão. Se receber um flop como R-D-x, as únicas pessoas que o poderão acompanhar possuem pares na mão (Rei, Dama ou “x”) ou aqueles com uma mão que o derrotará (A-R, A-D, R-D, qualquer combinação com Rei ou uma combinação de Dama com o par de “x”). Se o flop for vazio – digamos A-7-4, por exemplo – resta-lhe apenas a sua habilidade para fazer bluff. A maioria dos jogadores não consideraria aventurar-se com esta mão deplorável.

 

Pares pequenos

 

Todos adoramos a possibilidade de derrubar um grande par ao jogar um pequeno – entre dois e cincos – e lavrar o nosso caminho para a frente. Mas o que acontece quando o seu pequeno par falha por completo? A situação torna-se bastante espinhosa.

Durante o pre-flop, os pares pequenos não se dão bem se existir demasiada ação na mesa. Digamos que recebeu um par de dois na posição de botão (“button”, lugar à direita do small blind) quando alguém dispara uma aposta nas posições intermédias, o jogador antes do cutoff (conhecido como hijack) iguala a aposta e o cutoff (jogador à direita do botão) decide aumentar o raise anterior. Agora o seu par de dois já não parece tão forte, pois não? Nesta caso, não existe nada de errado em descartar esta mão, na verdade, é a jogada mais indicada com esta atividade frenética na mesa.

Os pares pequenos não possuem qualquer impacto se as cartas apresentadas no flop forem todas superiores, o que na melhor das hipóteses colocaria a sua mão na quarta posição após o flop. Esta combinação também não é conveniente para completar um straight. Por exemplo, se possuir um par de três na mão e receber um flop com 2-4-5 para tornar a sua mão num “open ended straight draw” (draw de sequência, faltando a primeira ou a última carta), existem outros jogadores que provavelmente esmagarão o seu pequeno par ou o vencerão numa situação de straight.

 

Mãos com Cartas Não Sequenciais do Mesmo Naipe

 

Se receber duas cartas demasiado diferentes em valor – digamos um R-2 ou D-3, por exemplo – haveria, para a maioria dos jogadores, pouca hesitação em descartar imediatamente essa mão. Então, se existir o mesmo símbolo no canto de cada carta, isso faz diferença? Enquanto o facto de serem do mesmo naipe abre a possibilidade para obter um flush, apenas isso não irá será suficientemente forte em qualquer outra circunstância.

Se o draw para flush sair na mesa, então vai empenhar-se com uma mão fraca – é uma jogada sorrateira para o potencial flush, mas é fraca se esse potencial não for apresentado na mesa. Se receber um Rei no flop irá ter problemas com o kicker e a situação repete-se se tiver sorte no kicker – a sua carta mais alta pode não ser suficiente para ganhar um duelo, a não ser que tenha uma boa relação com o kicker.

 

Resumo

 

Por vezes somos obrigados a jogar com mãos que em certas ocasiões preferíamos não jogar. No entanto, se conseguir controlar a forma como coloca voluntariamente as fichas na mesa enquanto joga, certificando-se que as suas mãos possuem bastante potencial (nem sempre, mas na maioria) em vez de arriscar com uma mão enfraquecida, isto deverá aumentar o seu sucesso nas mesas. E não é pelas mãos vencedoras – e pelas fichas que recebemos de acordo com essas mãos – que nos sentamos na mesa de jogo?